Ministros das Finanças iniciaram discussão sobre desafios para a economia global

As autoridades brasileiras, anfitriãs da reunião de dois dias em São Paulo, procuraram concentrar as conversações na cooperação econômica para enfrentar questões como as mudanças climáticas e a pobreza, propondo uma declaração conjunta que evite menção direta às guerras na Ucrânia e em Gaza.
No entanto, as questões geopolíticas que pairavam sobre o evento logo vieram à tona, com até mesmo aliados próximos divididos sobre o que fazer com os ativos russos bloqueados pelas potências ocidentais.
Essas fissuras ficaram visíveis depois que os ministros G7 se reuniram na quarta-feira antes dos trabalhos do G20, debatendo se os ativos congelados poderiam financiar a reconstrução da Ucrânia.
A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, disse na terça-feira (27) que acredita haver uma base sólida no direito internacional para desbloquear o valor dos ativos russos, como garantia ou por confisco.
Mas o Ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, argumentou nesta quarta-feira que não há base suficiente no direito internacional para confiscar os ativos russos, enfatizando que tal medida exigiria o endosso dos membros do G20 e de outros países.
“Não devemos acrescentar nenhum tipo de divisão entre os países do G20”, disse ele a repórteres. “Se a base legal não for suficiente (…) você criará mais divisões em um momento em que precisamos de mais unidade para apoiar a Ucrânia.”
O desentendimento entre eles ressaltou o terreno geopolítico complicado para o grupo das 20 principais economias do mundo, cujos ministros das Relações Exteriores manifestaram na semana passada, no Rio de Janeiro, profundas divisões sobre a guerra na Ucrânia e o bombardeio de Israel em Gaza.
A coordenadora brasileira da trilha de finanças do G20, Tatiana Rosito, disse nesta quarta-feira que a negociação de toda a parte econômica do comunicado produzido pelo grupo foi concluída e agora será submetida aos líderes de finanças de cada país.
Uma versão preliminar do comunicado, vista pela Reuters na terça-feira, fez apenas uma referência passageira aos conflitos regionais.
Mas o ministro das Finanças da Alemanha, Christian Lindner, disse que seu país só concordará com o comunicado do G20 se as questões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, forem mencionadas.
O Brasil está tentando, com sua presidência do G20, desviar as discussões das tensões geopolíticas entre as grandes potências para um consenso sobre o desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo em que tenta dar mais voz às nações em desenvolvimento do Sul Global.
Em seu discurso de abertura da reunião dos ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu que os países implementem sistemas progressivos de tributação que cobrem de bilionários uma “justa contribuição em impostos”.
O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, afirmou que ainda há trabalho a ser feito na última milha da desinflação dos países, ressaltando a existência de riscos à frente.
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